Ai Setembro!
Das tardes calmas e noites frias
Adivinhando a neves.
Ai Setembro!
Das uvas cheirando a mosto
Dos frutos maduros pelo sol de Agosto.
Ai Setembro!
Dos ouriços que abrem
Como vaginas,
Mostrando os frutos do seu ventre
Ai Setembro!
Dos verdes que fogem
No castanho das cores,
No vermelho das parras
Que duram pouco,
Como os amores de verão.
Ai Setembro!
Das flores tardias
Que espreitam o sol
Nas tardes de Outono.
Ai Setembro!
No silêncio da luz
Das noites estreladas.
Ai Setembro!
Do cheiro terra molhada
Das folhas que caiem.
Ai Setembro!
Da solidão dos velhos
Nos longos caminhos da vida,
Na ferrugem dos orvalhos.
Ai Setembro!
Do Inverno que se anuncia
Nas primeiras chuvadas,
Das espigas douradas,
E das desfolhadas
Onde as raparigas
Procuram, no milho rei,
O beijo que eu não dei.
Ai Setembro!
João Norte
Gostei muito do poema e arrepiei-me com as saudades da única desfolhada em que participei e onde, infelizmente, não me saiu o milho rei.
ResponderEliminarQue saudades me fez do milho rei, dos abraços, das desfolhadas em casa de meus Avós...
ResponderEliminaro tempo, que por mim passou a correr, deixou-me um caminho atapetado de saudades e recordações e um enorme amor por Setembro (todos os Setembros) e pelos equinócios.
Obrigada pela visita e por me fazer recordar.
Bj
Maria Mamede
O Setembro é sempre um mês de nostalgia, é o fim do verão, mesmo para aqueles que não pensam nisso ou que, aparentemente, não têm tempo para sentir nostalgia. Mas quando se foi criado no campo e o Setembto nos traz à memória a alegria das colheitas, as primeiras chuvas, o cheiro das frutas, as uvas doces, o milho rei, então a saudade bate bem fundo.
ResponderEliminarObrigado por me terem visitado.