Com medo agarro as cordas do passado,
E remo o meu barco de papel.
O mar de vento em tropel,
Rebenta em castelos salpicado,
As ondas de aromas acordados.
Teimoso, calo os ruídos da memória,
E fecho os olhos ao que vai à minha volta,
Na luta incessante e sempre nova,
Da esperança que, a cada passo, se renova,
Na procura do triunfo ou da glória.
Alento do pobre condenado
Ao ritmo do tempo modelado
Pelo sopro da maré inconsciente,
Que sempre marca a vida lá na frente.
No futuro tento a fuga do presente,
Silencio os mortos sepultados.
Com as mãos tapo os sulçcos desta terra,
Calo as vozes que gritam do passado.
O medo, sempre o medo, bem colado
Nas veias do viver inacabado.
Agarro o ferro da cama enferrujado,
Enquanto o mar do tempo vai batendo,
No meu quarto escuro e pequenino...
Meu pai... Forte!... e Corajoso!....
Dorme ao lado.
No esquife que, para ele, foi talhado.
João Norte
Um poema muito bom. Forte, dramático, intenso como a própria vida.
ResponderEliminarUm abraço e bom fim de semana
Amigo João Norte,
ResponderEliminarFinalmente vim visitar-te! (Também logo havias de ter escolhido um post meu do tempo em que os animais falavam para deixar as tuas mensagens... é claro que demorei a chegar lá!). Pois aqui estou, e a gostar muito do que encontro. Tens um lindo espaço (a nossa amiga Lurdes é espectacular, eu sei!) e começas a dar passos seguros neste pequeno-grande universo. Belíssimo este poema! Continua, amigo.
Vou adicionar-te aos blogues que visito com frequência para vir até aqui com maior facilidade.
Beijos ternos e um abraço de parabéns pelo "feito".
maria carvalhosa