miércoles, 3 de septiembre de 2008

Tarde de Agosto.

Tarde quente de Agosto.

Sento-me, a contra gosto,

Na esplanada sozinho.

Da rua, sobe o vento de azevinho.

No espaço, há aromas matizados de café.

Estalam, no ar, gargalhadas de crianças.

Um dia serão velhas!

A juventude é uma rosa

Que envelhece e se desfolha

Com um sopro.

Os pássaros descansam entre folhas

Das árvores que estendem a sombra no asfalto,

Na luz roxa projectada em lençol,

Pelo Sol que jorrou lá do alto.

E eu procurei a solidão

Nas fugas daquele sol.

Há ciprestes ao longe

Que crescem das paredes,

Recordações de campos verdes,

Caminhos poeirentos

Que não sei por onde hão-de ir,

Por ali passaram rebanhos que já não vejo.

O meu coração viu-os partir.

A rua está deserta.

E eu também!

João Norte.

1 comentario:

  1. Querido João
    Este poema está belissimo!!!*****
    Tão real, tão igual ao que vejo, tão simples e verdadeiro, faltam-me adjectivos!
    Numa palavra : arrepiada.
    Quero ler-te, por favor escreve.
    Recebe um Mundo de beijos
    Ashera

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