Tarde de Agosto.
Tarde quente de Agosto.
Sento-me, a contra gosto,
Na esplanada sozinho.
Da rua, sobe o vento de azevinho.
No espaço, há aromas matizados de café.
Estalam, no ar, gargalhadas de crianças.
Um dia serão velhas!
A juventude é uma rosa
Que envelhece e se desfolha
Com um sopro.
Os pássaros descansam entre folhas
Das árvores que estendem a sombra no asfalto,
Na luz roxa projectada em lençol,
Pelo Sol que jorrou lá do alto.
E eu procurei a solidão
Nas fugas daquele sol.
Há ciprestes ao longe
Que crescem das paredes,
Recordações de campos verdes,
Caminhos poeirentos
Que não sei por onde hão-de ir,
Por ali passaram rebanhos que já não vejo.
O meu coração viu-os partir.
A rua está deserta.
E eu também!
João Norte.
Querido João
ResponderEliminarEste poema está belissimo!!!*****
Tão real, tão igual ao que vejo, tão simples e verdadeiro, faltam-me adjectivos!
Numa palavra : arrepiada.
Quero ler-te, por favor escreve.
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Ashera