martes, 27 de enero de 2009

Cega-me a foice. Pema de Conceição Bernardino- in "Amanecer & Palavras Ousadas"

As terras áridas de centeio
correm-me nas veias
o negro espalha-se
pelos campos da fome,
gela-me o frio
sobre as palhas
do trigo sem sustento.
 
Cega-me a foice…
…na cegueira da colheita
 
Os matrigais secaram
na boca de quem as alimenta,
as mãos enrugadas
carregam o fardo
no vazio
das cinzas avermelhadas
queimadas em solidão.
 
Cega-me a foice…
…na cegueira do nada
que me resta.

7 comentarios:

  1. Porque há poemas que nos tocam particularmente, publico aqui, por cedência gentil da colega do Blogue " Amanhecer & Palavras Ousadas" este poema e foto.

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  2. gelam as palavras perante esta negra realidade
    bela escolha
    beijos

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  3. Muito bonito!

    Nem sempre os poemas mais bonitos são os que falam de felicidade. :)

    Bxinhux

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  4. "Cega-me a foice…
    …na cegueira da colheita...
    na cegueira do nada
    que me resta".
    Triste. Real. A doer-nos no peito.
    Belíssimo!
    Um abraço.

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  5. Gostei do poema. Como vai a escrita? Talvez nos vejamos em breve, se... depois ligo.
    Abraços

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  6. Lindo poema, fala tristeza mas lindo de sentimento... Amei, jinhos T!na

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