Esta célebre frase de Almeida Garrett parece nunca ter tanta razão de ser como hoje no nosso panorama político.
Aproximam-se as eleições; o que pode o eleitor escolher perante o leque de partidos que temos? Qualquer pessoa atenta especialmente nestes últimos dez anos de democracia, percebeu que o nosso sistema partidário, sujeito à disciplina do partido tira ao deputado toda a importância do sistema democrático tal como está. A nossa elite política parece limitada ao mesmo grupo de elementos, mais gestores do que políticos, cuja ganância e despudor se enredou nas fraudulentas manobras financeiras. O próprio Presidente da República parece refém do seu antigo grupo de homens-de-confiança incapaz de destituir do Conselho-de-Estado um Dias Loureiro atolado no lamaçal do BPN e, perante a crise económica, não tem mais para oferecer ao país senão o apelo ao acordo central. A PSD, enredado nas suas contradições, sem alternativa de governo ao PS, corre a abraçar a ideia.
Na Assembleia da República os partidos embrulham-se em palavreado se serem capazes aprovar uma lei clara, nem sequer saberem explicar ao povo que “fuga ao fico e enriquecimento ilícito” são coisas diferentes. Há quase um ano sem serem capazes de eleger um procurador da justiça, agora apresentam 4 e cada um irá votar no seu.
Mas perante esta aparente incapacidade são capazes, rápidos e secretos a aprovar o aumento das suas receitas por oferta directa e em dinheiro abrindo mais o caminho aos sacos de notas e à corrupção. Nem um só veio dizer, ainda que fosse por cinismo, isso não!
Para onde se me fazem visconde
uma análise mais que perfeita.
ResponderEliminargostei de ler
beijos