lunes, 22 de febrero de 2010

Um momento

Enquanto tiver voz.

Aprofunda-se em mim
O desejo do repouso.

Guerreiro velho e cansado
Que enterra seu machado.

Já voam os abutres!...

Porque é sentença dada.
Sou pássaro em decomposição.

Afrouxam-se os sentidos,
Aturdem-se em mim as palavras.

Tão longe já vai aquela madrugada
De todas as esperanças.

E … que matanças!...
O tempo nos tem dado.

Ai... de mim coitado!....
Que um dia acreditou.

Atraem-me os comentas,
Abram-me o céu!...

O meu corpo é objecto…
Que a terra deu.

Mas os olhos
Ainda passeiam por aqui.

Enredo-me nos ares.
Por cantos e esquinas,
Em constantes procurares.

Em verdade vos digo,
Enquanto tiver voz,
Não me vou calar.

João Norte

1 comentario:

  1. Meu querido amigo Poeta de Voz, adorei !
    Vou partilhar.
    Beijos e mais beijos para ti e tuas queridas
    Saudades !!!!!!!!!!

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