jueves, 19 de febrero de 2009

Um País tolhido

Uma sondagem dava-nos há pouco tempo como o povo mais pessimista de Europa. Já sabíamos que ser pessimista, fatalista, saudosista, gostar de fado, não acreditar em nada que seja nosso, gostar de comprar tudo o que é feito lá fora ainda que seja pior do que os portugueses fazem, são características que nos vêm de muito longe, talvez desde que verificámos que a Índia não nos enriquecia e que nos estão coladas como parte da nossa pele.
Porém o problema actual não é infelizmente apenas uma característica. Não era disso que a sondagem falava como não é disso que falam os números, tanto os do FMI como os do Banco de Portugal. Esses números falam da quebra do poder de compra e da quebra do consumo daí resultante. Os números falam da diferença entre a média dos salários nacionais e a média europeia. Os números falam do maior custo de vida em Portugal do que a média europeia. Os números falam de muitos milhares de pessoas portuguesas que passam fome. Os números falam da falta de cuidados de saúde e da espera por cuidados que deviam ser imediatos. Os números falam de creches a fechar e nenhuma a abrir. Os números falam de meio milhão de portugueses sem emprego. Os números falavam, e já não falam, dos lucros desenfreados da banca e das grandes companhias de serviços necessários e seguros. Os números falam do défice da balança comercial descontrolado, apesar do governo nos querer tapar os olhos vendendo o que outros anteriores tinha guardado. Os números falam de corrupção que se estende pela sociedade portuguesa como uma epidemia de tuberculose incurável, misturando política com futebol e negócios imobiliários. Os números falam de gestores corruptos e ladrões que desviaram o dinheiro dos depositantes para proveito próprio.  Os números falam de banqueiros ladrões e de banca falida que o povo tem de pagar. Os números falam de  organismos reguladores chefiados por pessoas muito bem pagas que não regularam coisa nenhuma. Os números falam de um país à beira do desespero. Os números falam da compra de carros de luxo atentatório à dignidade de quem paga impostos. Os números falam-nos em tantas coisas que nos deixam envergonhados.
Será que ainda alguém espera que os portugueses tenham vontade de rir neste carnaval?

sábado, 14 de febrero de 2009

NUM Xei de Nada

Xuro que nom xei de nada, xó  estive xete anos na xoxiedade luja e nom xabia de nada. Eu xou um anjo, um conxilheiro xério. Os xoutros é que xabem tudo, num  roubei nada, xó rexebi uns trocados para comprar as minhas moradiax. Num xei de nda xá dixe. O xinhor prexidente tumbem num xabe.

martes, 10 de febrero de 2009

Já Não Há Paciência

O comportamento do trio governante Ministério da Educação seria apenas lamentável se não tivesse as consequências que qualquer pessoa ajuizada pode prever.

É confrangedor assistir ao ziguezague patético, ora retirando, ora lançando nova regras no Estatuto da Carreira Docente, impondo ou deixando cair exigências na prática docentes, abandonando velhas e criando novas hipotéticas formas de avaliação, cada vez concentrando mais o controle administrativo das escolas.

Numa nova tentativa de atirar poeira para a opinião pública vem agora, pela boca estafada do secretário de estado Jorge Pedreira, anunciar mais um escalão na carreira dos docentes não titulares, mais um para os titulares, prémios monetários para os professores que tenham avaliação de muito bom ou excelente, numa errância que faz dó, apenas tentando ganhar tempo até passarem as eleições. Pensando nos professores como “ coisa menor” este governo nunca percebeu a importância do Ensino nem o desgaste que esta falta de tacto lhe traz.

miércoles, 4 de febrero de 2009

Encontro de blogues.

Atenção colegas. O 1º encontro de bloguistas nas Caldas da Rainha dia 21 de Março com almoço preço ainda a combinar.

Inscrições para

 zeventura@netvisao.pt

loja107@apo.pt

j.lnorte@otmail.com

Inscrevam-se e divulguem.

martes, 3 de febrero de 2009

A crise e as suas consequências

A crise económica que se está sofrer pode ainda ter consequências muito mais graves do que seriam de esperar.

O homem comporta-se conforme as circunstâncias; a fome torna o lobo mais feroz e o homem menos civilizado. E não há convenções ou acordos que sejam respeitados quando se tem fome. Muitos comportamentos estão a vir ao de cima mais cedo do que se pensaria. Na perspectiva da perda de emprego reaparecem os comportamentos xenófobos contra os imigrantes. Estou a referir-me às greves inglesas contra a contratação de trabalhadores portugueses e italianos. Se há país onde existiam imigrantes de todo o mundo é em Inglaterra. Enquanto houve trabalho para todos a convivência foi pacífica, agora corre se o perigo de descambar. Pior ainda se os partidos de direita se aproveitarem deste medo dos trabalhadores para cativarem descontentamentos a seu favor. É assim geralmente; lembremos Le Pen em França, Paulo Portas em Portugal.

Há, no entanto, um pormenor que me surpreende: a maior parte dos trabalhadores estrangeiros em Inglaterra têm origem em países como o Paquistão, a Índia, África e Malásia, porquê ser contra portugueses e italianos este primeiro levantamento?

Será porque sendo cidadãos da Europa e, como tal, com mais direitos, assustam mais? Será o antigo orgulho dos britânicos contra os continentais? Será porque continuam a considerar os povos do sul da Europa como inferiores? Ou será que anda já ali mão política de quem é contra a EU?

Vamos ver como a EU consegue lidar com este novo mas perigoso caso de xenofobia.